Tati Bernardi completa 47 anos hoje. Escritora, cronista, roteirista e uma das vozes mais honestas da literatura brasileira contemporânea. Quem a acompanha sabe que ela não escreve sobre personagens. Ela escreve sobre ela mesma — e, no processo, acaba escrevendo sobre você também. Talvez não seja coincidência que o ano que encerra justamente hoje tenha sido um dos mais reveladores da sua carreira.
O ciclo que Tati deixou para trás foi marcado pelas tendências do número 6: família, pertencimento, responsabilidade, e essa busca por harmonia entre quem você é e o mundo em que vive. Um período que costuma trazer as raízes à tona — as origens, os vínculos, o peso do que herdamos.
E foi exatamente o que aconteceu. Em março de 2025, Tati lançou A Boba da Corte (Editora Fósforo), seu romance mais pessoal até hoje. O livro começa com uma festa de aniversário dela no Itaim Bibi e termina com uma convidada perdida no Tatuapé — o bairro onde Tati cresceu. Em pouco mais de 100 páginas, ela disseca o desconforto de ascender socialmente sem nunca se sentir completamente em casa em nenhum dos dois mundos. É um livro sobre família de origem, sobre classe, sobre a responsabilidade de ser quem você é enquanto tenta ser quem os outros esperam. Difícil imaginar uma narrativa mais afinada com as tendências de um ciclo 6.
Ao longo do ano, ela percorreu o Brasil com o livro — eventos em Brasília, encontros com leitoras, uma aparição na Câmara dos Deputados para falar sobre literatura. Em paralelo, sua coluna semanal na Folha de S.Paulo continuou movimentando debates sobre feminismo, relações e o que consideramos justo no cotidiano. No ciclo da harmonia e da justiça, Tati escolheu o caminho mais trabalhoso: não evitar o atrito, mas atravessá-lo com humor e lucidez.
A partir de hoje, começa o ciclo 7. Se o 6 foi sobre o mundo ao redor — família, comunidade, responsabilidade com os outros —, o 7 é o movimento contrário. É o período que pede profundidade, introspecção e tempo para pensar. Um convite para revisar o que realmente importa, aprofundar o conhecimento e afinar a escuta interna. Para uma escritora que vive de autoanálise e cujo maior personagem é ela mesma, esse ciclo pode ser especialmente fértil.
Feliz aniversário, Tati. Que o seu novo ciclo traga as perguntas certas — e o silêncio necessário para ouvi-las.
