Sandra Werneck completa 75 anos hoje, 5 de maio. Uma cineasta que passou quase cinco décadas filmando histórias que o Brasil preferia não ver — adolescentes nas margens do Rio, amores sem final feliz, mulheres que envelhecem sem pedir desculpa. Quem a acompanha sabe: ela não para.
O ciclo que ela encerra hoje foi de número 1. O ano do início — coragem, independência, movimento. Para a maioria das pessoas, um Ano 1 pede que se abra alguma porta nova. Sandra Werneck abriu uma câmera.
Em 2025, ela direcionou seu olhar para um território ainda mais pessoal: o envelhecimento feminino. "Meu Tempo é Agora" reuniu Marieta Severo, Zezé Motta e Conceição Evaristo — mulheres com mais de 70 anos que tinham histórias urgentes a contar sobre corpo, carreira, afeto e tudo o que a sociedade tende a silenciar quando as mulheres cruzam certa idade. Sandra se colocou como personagem do próprio filme. Isso não é detalhe — é gesto. Um Ano 1 pede que a primeira pessoa seja a da própria história, e ela seguiu à risca.
O documentário estreou no Canal Brasil em novembro de 2025, acompanhado de uma maratona com seis dos seus filmes. Não foi apenas reconhecimento — foi uma declaração de continuidade. E hoje, no dia do seu aniversário, o canal dedica uma programação especial à diretora. Cinquenta anos depois do primeiro trabalho, ela ainda é pauta. Isso tem muito do espírito do número 1: quem lidera não precisa empurrar — as portas abrem.
O novo ciclo é o 2. Equilíbrio, cooperação, relações, conciliação, emoções. Depois de um ano de lançamentos e visibilidade, o Ano 2 não pede menos criação — pede mais escuta. Mais espaço para o que foi construído em parceria. Para Sandra, que passou décadas colaborando com outras mulheres no cinema brasileiro, esse ciclo tem gosto de aprofundamento.
Feliz aniversário, Sandra. Que os próximos capítulos venham — e que cada um deles continue incomodando quem precisa ser incomodado.